quinta-feira, 17 de abril de 2014

Queremos Monitor no arquivo e nas bancas

Como costuma dizer um dos mais ilustres associados da AIC, o professor Fernando da Silveira, “a nossa alma está em festa”. A noite de ontem, cheia de emoção e simbolismo, colocou no patamar devido a importância que a cidade deve dar ao Monitor Campista.

Muito ainda precisa ser feito para que o município repare o dano causado pelos assassinos do jornal. Há até mesmo os que acreditam que este dano é irreparável. Mas a noite de ontem foi uma bela retomada, e vendo tanta gente reunida para saudar a conquista do retorno do acervo para Campos, não há como não acreditar que o objetivo maior de fazer voltar a circular o Monitor pode, sim, ser alcançado. Basta querer.

A Associação de Imprensa Campista é grata e parabeniza a todos os que estiveram envolvidos na volta do acervo, especialmente ao presidente da Câmara de Vereadores, Edson Batista, e ao diretor de Cultura do Legislativo, Wilson Hendenfelder, que deram aquela prioridade que faz as coisas realmente acontecerem (e não ficarem apenas nos discursos).

Batista tratou o assunto com rara sensibilidade entre políticos, formou o Grupo de Trabalho, do qual fizeram parte a AIC e o Coppam, e permitiu que a estrutura da Câmara operasse para que o retorno se concretizasse. O vereador se comportou como estadista, como representante institucional de fato, e não como líder de grupo político, algo que precisa ser mais comum em outras esferas do poder na cidade.

Hendenfelder atuou com dinamismo, venceu burocracias, convenceu os Diários Associados, serviu de elo entre todos os atores envolvidos, e foi o operador essencial para que o acervo voltasse. Sem ele, na prática, não teria acontecido, pois poderia ser tão lento a ponto de tornar-se inviável, como muitos dos temas da vida pública.

Antes disso, no entanto, passos importantes foram dados, como o do Coppam, presidido pelo professor e jornalista Orávio de Campos Soares, que aprovou por unanimidade o tombamento do acervo do jornal, reforçando o peso que o município dá a este patrimônio e a disposição oficial para que esta documentação histórica voltasse a ficar em solo campista.

E para coroar todo este esforço ainda temos a mostra Memorial do Monitor, que permanece no espaço cultural da Câmara de Vereadores até 30 de abril. Este trabalho, de curadoria do incansável Wellington Cordeiro, e que envolveu tanta gente querida do velho Monitor – como Patrícia Bueno, Leandro Cordeiro, Helvio Cordeiro, Elton Nunes, entre outros – e pesquisadores apaixonados como Wellington Paes e Sebastião Rangel, ajuda a dar visibilidade ao jornal e a sensibilizar a população sobre a sua importância.

Para a Associação de Imprensa Campista, no entanto, a batalha pelo Monitor continua a requerer mobilização e vigilância rigorosa. De forma alguma a questão está encerrada. Pelo contrário: agora estão maiores as responsabilidades do município. Precisamos estar atentos ao tratamento que será dado ao acervo na Câmara de Vereadores e em um eventual outro destino que ele venha a ter, possivelmente no Arquivo Público Municipal.

E mais: é necessário não esmorecer no trabalho de convencimento do mundo político e das representações da sociedade acerca de ideia de que é imprescindível que façamos o jornal voltar a circular. É uma reparação histórica que deve ser feita ainda por esta geração, além de ser extremamente factível. Recuso-me a acreditar que Campos, hoje, tem menos condições de manter o Monitor Campista do que as que contou nos 175 anos da sua circulação, até 2009. Não há nenhuma justificativa para que esta retomada não aconteça.

Temos insistido na ideia da criação da Fundação Monitor Campista, de caráter público, mas habilitada juridicamente a captar recursos privados, do mercado publicitário e de editais de fomento à cultura, para que ela passe a ser responsável pelo acervo e que também abrigue a nova redação do jornal. Está mais do que demonstrado que o Monitor não é apenas um jornal privado. Ele é resultado histórico do trabalho de dezenas de gerações e legitimamente incorporado ao patrimônio afetivo e cultural do município. O investimento público na sua manutenção em circulação é legítimo, necessário e urgente, assim como a participação do empresariado na viabilização de recursos privados.

Consideramos como uma manifestação de preocupação e de reconhecimento a proposta aventada pelo poder público, externada pelo presidente da Câmara na noite de ontem, de passar a dar ao Diário Oficial do Município o nome Monitor Campista. Mas acreditamos que esta hipótese é algo aquém do que é preciso no caso do jornal, que é o seu retorno, retomando a numeração “descontinuada” em 15 de novembro de 2009, para que o município possa manter o seu orgulho de contar com o terceiro jornal mais antigo do Brasil, e com a contribuição jornalística que mais uma voz permite no cenário local.

A história do Monitor não é apenas um acervo. A história do Monitor é também esta que podemos continuar a escrever agora.

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