sexta-feira, 28 de maio de 2010

Debate marca abertura da Semana da Imprensa






O fechamento do jornal Monitor Campista foi discutido por duas horas, ontem à noite, na Fafic, durante a abertura da Semana da Imprensa, promovida pela Associação de Imprensa Campista. Participaram do debate, o presidente da AIC e secretário de Cultura, Orávio de Campos Soares; o pesquisador Leonardo de Vasconcellos Silva; o último editor de Política e Economia do Monitor, Ricardo Vasconcellos e o vice-presidente da AIC, Vitor Menezes.

Após a exibição de duas reportagens de TV sobre o encerramento das atividades do jornal, que tinha 175 anos, Orávio lamentou a falta que o periódico está fazendo na cidade, justamente por ser um jornal que “praticava o exercício da imparcialidade”. O jornalista destacou também a perda do acervo do jornal, que já não se encontra mais em Campos. “Tomei conhecimento de que ele teria ido para o Espírito Santo”, disse.

Leonardo lembrou a questão do desemprego dos profissionais que atuavam no jornal e o comparou ao Liceu (por sua importância cultural e histórica). Disse ainda que no Brasil, de modo geral, é muito difícil para o leitor, acreditar no que está escrito na imprensa. “O Monitor era um jornal que conseguia viver livre dessa pressão, que tinha isenção e credibilidade”, disse, acrescentando que há duas instituições de ensino de Campos interessadas em adquirir o acervo.

Na opinião de Ricardo André, o jornal (que encerrou suas atividades no dia 15 de novembro de 2009) não deixou de circular por déficit financeiro (como alegou o seu proprietário, o grupo Diários Associados). “O Monitor deixou de circular porque incomodou a concorrência. Durante um bom tempo o jornal se resumia a publicar os atos da Prefeitura de Campos, mas nos últimos oito anos, passou por uma reforma boa (chegou a ter a mais moderna redação de Campos) e recuperou a respeitabilidade do público leitor. Nunca tive meu salário atrasado e a empresa pagou as nossas indenizações com a maior facilidade”, lembrou.

O jornalista João Ventura, que ingressou na profissão como estagiário, fez um resumo sobre sua passagem pelo periódico (que era o terceiro mais antigo em circulação no Brasil), lembrando que tinha liberdade para sugerir e debater pautas. E disse aos estudantes de jornalismo: “Infelizmente, vocês perderam mais uma porta de trabalho, aliás, um bom trabalho”, lamentou.

[Fotos: César Ferreira]

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